Por Marco Roza, diretor da Agência Consumidor Popular
Conviver com os consumidores populares, os que até muito recentemente só conseguiam comprar na Casas Bahia, através do carnê, é ser arrastado para um mundo cheio de emoções negativas e permeado de injustiças.
Na busca de uma nova experiência de consumo, que grande parte de seus ancestrais não tiveram como experimentar, engolem, na sequência, o constrangimento do preconceito, a indiferença de muitos lojistas e a rispidez autoritária das financeiras. “Sua rua não tem CEP”, insiste, em voz alta, o atendente para o consumidor que é reduzido, assim, à sua favela.
Mas o que tem pesado mesmo são as injustiças. É o guarda-roupa desmontado que só chega depois de ter caído a primeira parcela no cartão de crédito. E que fica incomodando o pouco espaço disponível porque o montador só vai aparecer em horário não agendado, num dia útil, dali a 20 dias.
É o carro que é deixado no estacionamento e é sumariamente depenado e que o supermercado ou o clube de compra responde que o “problema está em análise”.
Em vez de gozar a plenitude do prazer do consumo, os novos consumidores só podem espernear nos sites especializados em reclamações, que proliferam na internet.
Cada vez mais os compromissos de compra e venda se tornam virtuais, cada vez mais os responsáveis pela solução de problemas simples, como repor um estepe furtado, agendar a montagem de um móvel, se escondem atrás dos SACs e abandonam o consumidor injustiçado.
O Instituto Justiça do Consumidor surge para acender um fósforo na noite densa desse deserto de injustiças. Funciona junto com a Agência Consumidor Popular porque é impossível realizar campanhas que apostem na integridade das marcas, no relacionamento minimamente humano, se usamos as mercadorias como iscas para atrair clientes e, após o comprometimento, abandoná-los à injustiça que tem se tornado a norma, infelizmente.
Através do Instituto Justiça do Consumidor, a Agência Consumidor Popular ajuda as empresas-clientes a acrescentar às experiências de compra e venda a sensação de justiça feita. E a criar canais de reclamação que funcionem, para evitar que a única alternativa sejam os sites de internet.
A Agência Consumidor Popular fez uma opção irreversível pela base da pirâmide. É a opção por um poder de compra de 850 bilhões de reais ano. Para ajudar as empresas-clientes a aproveitar essas experiências iniciais com os novos consumidores para que suas marcas lhes garantam a sensação de consumir sem preocupações posteriores. E, principalmente, sem deixar o lastro amargo da injustiça.