quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Consumidores injustiçados



Por Marco Roza, diretor da Agência Consumidor Popular
Conviver com os consumidores populares, os que até muito recentemente só conseguiam comprar na Casas Bahia, através do carnê, é ser arrastado para um mundo cheio de emoções negativas e permeado de injustiças.
Na busca de uma nova experiência de consumo, que grande parte de seus ancestrais não tiveram como experimentar, engolem, na sequência, o constrangimento do preconceito, a indiferença de muitos lojistas e a rispidez autoritária das financeiras. “Sua rua não tem CEP”, insiste, em voz alta, o atendente para o consumidor que é reduzido, assim, à sua favela.
Mas o que tem pesado mesmo são as injustiças. É o guarda-roupa desmontado que só chega depois de ter caído a primeira parcela no cartão de crédito. E que fica incomodando o pouco espaço disponível porque o montador só vai aparecer em horário não agendado, num dia útil, dali a 20 dias.
É o carro que é deixado no estacionamento e é sumariamente depenado e que o supermercado ou o clube de compra responde que o “problema está em análise”.
Em vez de gozar a plenitude do prazer do consumo, os novos consumidores só podem espernear nos sites especializados em reclamações, que proliferam na internet.
Cada vez mais os compromissos de compra e venda se tornam virtuais, cada vez mais os responsáveis pela solução de problemas simples, como repor um estepe furtado, agendar a montagem de um móvel, se escondem atrás dos SACs e abandonam o consumidor injustiçado.
O Instituto Justiça do Consumidor surge para acender um fósforo na noite densa desse deserto de injustiças. Funciona junto com a Agência Consumidor Popular porque é impossível realizar campanhas que apostem na integridade das marcas, no relacionamento minimamente humano, se usamos as mercadorias como iscas para atrair clientes e, após o comprometimento, abandoná-los à injustiça que tem se tornado a norma, infelizmente.
Através do Instituto Justiça do Consumidor, a Agência Consumidor Popular ajuda as empresas-clientes a acrescentar às experiências de compra e venda a sensação de justiça feita. E a criar canais de reclamação que funcionem, para evitar que a única alternativa sejam os sites de internet.
A Agência Consumidor Popular fez uma opção irreversível pela base da pirâmide. É a opção por um poder de compra de 850 bilhões de reais ano. Para ajudar as empresas-clientes a aproveitar essas experiências iniciais com os novos consumidores para que suas marcas lhes garantam a sensação de consumir sem preocupações posteriores. E, principalmente, sem deixar o lastro amargo da injustiça.

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