Você não precisa invejar os mega exportadores brasileiros que abrem novos mercados na China, na Ásia ou no Oriente Médio. Aqui, do seu lado, a menos de 20 quilômetros de sua empresa, de sua sede ou loja, se você está instalad num dos grandes centros, existe um universo paralelo cheio de consumidores que ainda não foram percebidos por sua determinação desbravadora.
Principalmente se sua empresa ainda não percebe o pleno potencial deste pessoal apesar de as estatísticas oficiais, IBGE e FGV, registrá-los com mais de 850 bilhões de reais de consumo por ano. Simplesmente porque repetimos hábitos antigos herdados dos nossos ancestrais que há mais ou menos 500 anos adotam campanhas fechadas de elites para as próprias elites.
E apóiam suas campanhas publicitárias (quando ousam investir) ou de marketing (na maioria das vezes improvisadas) em mensagens que apenas tangenciam as vivências sociais, as emoções, projetos de vida e, principalmente, necessidades destes milhões de novos consumidores. Os deixam de fora porque ainda os consideram sem recursos para o consumo.
Trata-se, claro, de um erro de percepção. Pois os consumidores populares, chegaram ao mercado pela porta que foi aberta pelo Plano Real. Carregam seus reais estabilizados, em bolsos, cartões de crédito e até mesmo em cheques especiais. São bons pagadores. E, principalmente, são milhões de bolsos combinados.
Mas ainda é gente tímida porque desacostumada com a negociação direta e franca de seus interesses. Gente simples que precisa de ajuda para negociar e comprar, comprar e ampliar a sensação gostosa de se tornar consumidores plenos.
Da mesma maneira que é impensável exportar para qualquer país, até mesmo os de língua portuguesa, sem ajustar sua mensagem aos consumidores que comprarão seus produtos ou serviços, você amplia sua eficiência se passar a traduzir seus serviços, produtos e mercadorias para esse povo com o bolso e os corações cheios de vontade de consumir.
Se você quer tentar sozinho a empreitada de traduzir seu empreendimento para a percepção dos novos consumidores, parabéns, vá em frente. Evite repetir os hábitos de comunicação antiquados e ajustados a uma elite que foi sua cliente no passado.
Ou procure ajuda de quem é capaz de ajustar sua mensagem às emoções e aos bolsos de milhares de novos clientes que estão a menos de 20 quilômetros de sua loja ou empresa.
Marco Roza é diretor da Agência Consumidor Popular
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